mardi 4 juin 2013
dimanche 2 juin 2013
Un voyage en Inde de Gonçalo M. Tavares
« … Disons que penser n’est pas si facile. Certains hommes, alors qu’ils sont assis, font de tels efforts pour ébaucher une idée qu’ils finissent par être baignés de sueur. Et entre temps au-dehors rien, pas même la carcasse du plus éphémère indice d’intelligence. Chaque idée à l’air de se trouver dans ces cerveaux comme dans un labyrinthe dont elle n’arrive que rarement à sortir… » Gonçalo Tavares un voyage en Inde
« La tempête est un malentendu entre différentes substances, une dispute expressive, rien de plus. Oui, de toute évidence-mais tout aussi bien le contraire… »
Gonçalo Tavares, Un voyage en Inde
« Poussé par certaines déesses de l’inspiration, comme est poussée la vieille camionnette tombée en panne, l’écrivain au moteur archaïque, primitif, veut seulement au bout du compte, que ses phrases soient faites d’une substance qui ne s’évaporent pas lentement jour après jour ; et désire des phrases robustes qui sachent traverser les siècles. Des phrases qui lancées à la mer, nagent et qui, lancée en l’air, volent » Gonçalo Tavares. Un voyage en Inde
"Le chapeau est un accessoire vestimentaire à 50% cérébral "
Au hasard des mots
Sob o sono
quanto naus à espera de portos alèm do mar que espreitamos e de outros que nunca soubemos
Entre o céu acima do mar E o outro acima est céu Quantos voos à esper de asas
Entre os sonhos que sonhamos E os sonhos que no sonharam Quantos sonos para acordar
Helena Parente Cunha extrait de Traversée d’océans /traverssia de oceanos , édition bilingue, traduction de Dominique Stoenesco / Lanore
Combien de navires attendent un port Au-delàs de cette mer que nous contemplons Et d’autres mers dont nous ne savons rien
Entre le ciel au-dessus de la mer Et un autre plus haut ce ciel Combien de vols attendent des ailes
Entre les rêves que nous faisons Et le rêve qui nous a révés Combien de sommeils a réveiller P.148-149
Manuel Alegre / sete sonetos e um quarto – Dom Quixote
Teu rosto de desastres e tormentas E risos lagrimas e sol e vento Teu rosto de marés e vagas lentas Em que o ^razer è quase sofrimento
E o sofrimento è como rosa roxa Forindo de vagar em tua boca Se a minha nao te chicoteia a coax E no teu corpo hà uma ègua louca… P. 15
O Amor es tu / João Negreiros – sidaa de emergencia
A Comeram-se de sorvete
A cerimonia de noivado ficarà para segundas nupcias Hà um gelado na ponta da boca que vai dar a uma mão de bolacha O azar dela foi de ter nacido virgem O frio arde e mata no momento do sabor A mão que sabe a combinação dà voz aos ruidos que a cama faz no escuro… P. 44
…e realidade / Patrick Caseiro – corpos editora
Pressure Agora, que o Inverno armou a cilada Encontro-me na cidade errada! No interior, um vento gélido a soprar Cá dentro, tenho o sangue a coagular Vi algo estranho na televisão: Anunciavam um infalível remédio Mas eram ecos de destruição! Flutuo entre a náusea e o tédio I touch my trembling lips A strange taste in my mouth!. . It real y gives me the creeps! Disgrace comes to my house. . Da janela, observo o caminho E vejo o que habita dentro de mim Lá fora, a falar com o vizinho; Trago os neurónios num renesim! Aqui, a solidão é liberdade Um tesouro na palma da mão Sem arma, sem agressividade Para exterminar a terrível pressão! Roço os lábios, a tremer Gosto tão amargo na boca! Pressinto o que está para acontecer. . A desgraça chega-me à toca Uma sucessão de sentimentos opostos Habitamos corpos que não são nossos . .não são nossos! P.71
L’agitation des rêves / Alice Machado – Lanore
L’aube de la Création
Tu diras que mes yeux écartes les ténèbres La passion Où les orages éclatent Et créent des nouvelles vies dans l’aube de la création
Tu diras que mes yeux sont des soleils vermeils Des lunes fragmentées où l’ivresse s’installe A jamais enlacés aux étoiles A tes baisers, salée
Tu diras que mes yeux sont solitude Musique d’or Etats d’âme royaumes secrets Des falaises d’effroi Qui naissent en toi… P. 73 O murmurio do poço / Cristina Semblano – Palimage
Escuta o murmurio Do meu poço
Cresce nas noites De estio.
è como um apelo um queixume um gemido O roçar de asas De insectos Na expectativa do cio… E a saudade Da chuva
Da tua àgua Que mixtura A viscosidade das algas E a fragrância da flores P.39
La secrète vie des images / Al Berto – l’Escampette
Sans titre / Pedro Calapez … Montant d’invisibles escaliers qui nous conduisent à la réinvention du monde ou si derière ce mur de cendre on entend un réveil marquant après l’homme les incertaines secondes du premier jour… P. 48
Salsugem Al Berto
très silencieux j'attends que se décide quelque subite et magnifique métamorphose les moustiques redoublent de férocité recherchent les veines où coule le printemps ligneux des chardons et le sang végétal de volatiles animaux exhale des arômes dans la poitrine respirent encore les immenses nuits les pays aux neiges surprenantes... cocons sûrs pour cacher le corps… des arbres aux nodules vivants éclatent sur la peau en constellations de sève incandescente ensuite je déroule les mots adolescents et je recule jusqu'à atteindre la vision parfaite du début ces gribouillis colorés issus du premier crayon la graphie des eaux occultée par le corps-mère je reviens vers moi les doigts enflés par l'humidité presque solide de la maison le temps est un désastre dans la torpeur de son vol... il se déchire quand je pénètre le silence des demeures où j'ai vécu et les villes s'effondrent dans la folie… dans la mort qui a engourdi le regard lors du vieillissement des siècles je sais ce miroir m'incite à découvrir la mort le visage se fissure et des larves s'en échappent douces moisissures tourbillon d'air voix multiples... je sais ce miroir reflète le visage qui me trompe je passe la nuit dans les dents de la nuit je suppose qu'un de ces jours le matin se lèvera j'invente un cœur ouvert à l'invasion des huîtres malades je me prépare à produire la perle du sommeil éternel tandis que le monde continue à sécréter des catastrophes j'entends la rumeur effrayée des fourmis incessantes elles ramassent et rangent la moindre chose… loin de ce rêve d'été
Visita-me Enquanto não Envelheço visita-me enquanto não envelheço toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me com teu rosto de Modigliani suicidado tenho uma varanda ampla cheia de malvas e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores ver-me antes que a bruma contamine os alicerces as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo subindo à boca sulfurosa dos espelhos antes que desperte em mim o grito dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão derrama-se quando tua ausência se prende às veias prontas a esvaziarem-se do rubro ouro perco-te no sono das marítimas paisagens estas feridas de barro e quartzo os olhos escancarados para a infindável água com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te Al Berto Salsugem
A Matriz de João Negreiros in Luto Lento, papiro editora
A Matriz
Bom mesmo é ser famoso…para não conhecer ninguém nem ter vontade de conhecer ninguém porque quem não conhece ninguém, não conhece, obviamente, o nada porque é tudo. E depois sem grande esforço conseguimos estar nas fantasias de todo o mundo a preencher as falhas de toda gente e ser o homem ideal, o filho ideal, o neto ideal, o primo afastado ideal, o ódio de estimação ideal.
E não conhecemos ninguém e não sabemos quem somos… mas todos sabem. E pergunto desesperado a todos o que me pedem… o nome… e eles dizem, eles dizem o meu nome e eu, que já me tinha esquecido, lembro-me dele por instantes e acaricio-lhe as letras como o pêlo de um cão de guarda que foi para abater porque ferrou o inemigo. E escrevo o nome, o meu nome… e mal acabo de o escrever peco-o de novo, dou-o de novo e ja não me lembro dele de novo.
E quando estou fora pergunto aos diferentes azuis do Céu como me chamo. E quando estou dentro pergunto as manchas da parede e ao estuque do tecto como me chamo. Os ceus calam-se e as casas tanbem mas as pessoas com quem não quero falar respondem, à uma so voz, dizendo o nome que procurava, gastando-me a graça que já estava débil.
E peço que se calem, que não me gastem por favor que não pensem em mim todos dias, que não façam de mim substituto do marido que bebe o do neto que emigrou, que isso è muito trabalho e eu não posso estar em todo o lado ao mesmo tempo. Não sou Deus. Deus è maior e esta dentro de nos e eu, felizmente não.
Sabem, è uma grande responsabilidade ser a passagem secreta para a vossa felicidade. E o pior não è isso, o pior é perceber que quando morrer vou continuar vivo porque não me vão dar descanso. E vão-me enjaularem em posters e em fotografias guardadas nos bolsos dos armários junta com a roupa interior. E ninguém me vai dar sossego porque vou existir à mesma e isso faz-me muito triste.
Respiro contra a vontade, com o hálito dos outros e sem a minha inspiração. E compram, e vendem, e trocam, e usam e gastam o meu nome, o meu sangue, a minha pele, os meus ossos, a minha carne, que esta nos vossos pratos. E vocês comem-me, devoram-me todos os dias. E não sou nada mais uma vez porque sou tudo de novo.. E o que faço é um pormenor, e o que digo não tem significado, e no espelho não vejo o reflexo porque tive o azar de vos ver partirem-mo e os estilhaces da minha imagem estão na vossas casas e nas vossas mentes… E mentes tanto e mentes demais . Falas de mim como se me amasses e me trouxesses a botija de agua quente quando imploro por calor. E falas das minhas ideais como se fossem tuas e do meu sangue como se mo tivesses dado numa transfusão. E as vez finges que és eu… e andas pelas ruas convencido que és meu, e ouves como se me ouvisses, e falas como se te escutasse, e olhas mas eu viro-te a cara, e fecho-te a porta, e desfoco de propósito so na capa da tua revista, e falou com a voz distorcida so na tua televisão mas tu não desistes. Não és capaz de desistir, mesmo que quisesses não serias capaz porque estas irremediavelmente transformado em mim.
Tu e eu como um porque me comeste todo, e todos somos o mesmo, todos copiamos a matriz que sou eu, fazendo todos parte da mesma série limitada.
E o mundo é um homem que os outros são. E a terra é um sitio onde toda gente se conhece porque todos são o mesmo porque acharam que era melhor.
A diferença era perigosa, a beleza era perigosa.E agora é so fazer um esforço no acto da multiplicação parque os nosso filhos sejam iguais aos netos dos nossos avós. E cada um vai ter o seus posters no seu quarto. E cada um vais ser ídolo e fá de si mesmo. E cada um será o seu amante, o seu Deus, a sua sina, o seu sangue, o seu medo, o seu surdo, , o seu cego, o seu so.
João Negreiros in Lunto Lento
La Matrice
Il est vraiment bon d’être célèbre… pour ne connaitre personne, ni avoir envie de connaitre quelqu’un, parce qui ne connait personne, ne connait évidement pas le néant, puisqu’il est tout. Et ensuite, sans grand effort nous réussissons à être dans l’imaginaire de tout le monde remplissant les failles de tous les gens et être l’homme idéal, le fils idéal, le neveu idéal, le cousin éloigné idéal, la bête noire idéal (bouc émissaire ?) Et Nous ne connaissons personne, et nous ne savons pas qui nous sommes… Mais tous le savent Et je demande désespéré à tous ceux qui me le demandent… Mon nom… Et ils le disent… ils disent mon nom et moi qui avait déjà oublié, je m’en souviens par instants et je lui caresse les lettres comme les poils d’un chien de garde qui allait être abattu parce qu’il avait mordu l’ennemi. Et j’écris le nom, mon nom… je finis à peine de l’écrire, que je le perds à nouveau, je le donne à nouveau et je ne m’en souviens déjà plus à nouveau. Et lorsque je suis dehors je demande aux différents bleus du ciel comment je m’appelle. Et lorsque je suis à l’intérieur je demande aux taches sur le mur et au plafond de plâtre comment je m’appelle. Les cieux se taisent et la maison aussi mais les personnes avec qui je ne veux pas parler répondent d’une voix unique, prononçant le nom que je cherchais, m’usant la grâce qui était déjà frêle. Je leur demande de se taire, qu’ils s’arrêtent de m’user s’il vous plait qu’il ne pense pas à moi tous les jours, qu’elles ne fassent pas de moi un substitut à leur mari qui boit ou le neveu qui a immigré, parce que c’est beaucoup de travail et que je ne peux pas être partout à la fois. Je ne suis pas Dieu. Dieu est plus grand et il est à l’intérieur de nous et moi, heureusement, non. Vous savez, c’est une grande responsabilité d’être le passage secret pour votre bonheur. Et le pire ce n’est pas ça, le pire c’est de se rendre compte que quand je mourrais je vais continuer vivant, car ils ne me donneront pas de repos. Ils vont m’emprisonner dans des posters, des photographies rangées dans des tiroirs d’armoires avec la lingerie. Et personne ne me donnera de repos parce que je continuerais à exister, et ça me rend très triste. Je respire contre ma volonté avec le souffle des autres et sans mon inspiration. Et ils achètent, et ils vendent, et ils échangent, et ils usent, et ils gaspillent mon nom, mon sang, ma peau, mes os, ma chair, qui est dans vos assiettes. Et vous me mangez, vous me dévorez tous les jours. Et encore une fois je ne suis rien, puisque je suis tout à nouveau. Et se que je fais n’est qu’un détail, se que je dis n’a pas de signification, et dans le miroir je ne vois pas mon reflet, car j’ai eu le malheur de vous le voir briser et les débris de mon image, sont dans vos maison et dans vos esprits (en portugais mentes)… et tu mens tellement, et tu mens de trop. Tu parles de moi comme si tu m’aimais et que tu m’apportais un broc d’eau chaude quand j’implore pour de la chaleur. Et tu parles de mes idées comme si c’était les tiennes et de mon sang comme si tu me l’avais donné dans une transfusion. Et parfois tu fais semblant d’être moi.. Et tu marches dans les rues convaincu que tu es à moi, et tu entends comme si je m’entendais, et tu parles comme si je t’écoutais et tu regarde, mais moi je me détourne et je te claque la porte au nez. Je te défie volontairement, uniquement sur la couverture de ton magazine et je parle avec la voix déformé uniquement dans ton téléviseur, et tu n’abandonne pas. Tu n’arrive pas à abandonner, même si tu voulais tu n’y arriverais pas parce que tu es irrémédiablement transformé en moi. Toi et moi en un seul, parce que tu m’as mangé tout entier et nous sommes tous le même, nous avons tous copié la matrice que je suis. Faisant tous partie de la même série limitée. Et le monde est un homme que les autres sont. Et la terre est un lieu où tout le monde se connais parce que tous sont le même parce qu’ils ont trouvé que c’était mieux, la différence était dangereuse, la beauté était dangereuse. Et maintenant il faut faire un effort dans l’acte de multiplication, pour que nos enfants soit pareil aux neveux de nos grands parents. Et chacun va avoir ses posters dans sa chambre. Et chacun va être idole et fan de lui-même. Et chacun sera son propre amant, son propre Dieu, son propre destin, son propre sang, sa propre peur, son propre sourd, son propre aveugle, unique
mardi 28 février 2012
Patrick Caseiro
Constitué de "petites histoires" tirées de son vécu quotidien, ce premier recueil de poèmes de Patrick Caseiro. ... e realidade . confirme ce que nous savions déjà de la sensibilité poétique de son alter-ego Pat Kay. artiste chanteur, musicien et parolier, fondateur du groupe musical Pat Kay & Thé Gajos. Sur un site internet, Patrick Caseiro évoque ainsi cette ascendance : "Pat Kay est maintenant presque au-dessus de moi. Il m'apprend des trucs, il anticipe mes pensées parfois. Il est assez curieux Certains le voient noir et caustique, d'autres plutôt réaliste et sensible. En tout cas. il avance en flirtant sans cesse avec le pathétique, ou plutôt en le dénonçant. Il a une dose de voyeurisme, de culot, pour nous raconter à sa façon toutes les histoires proposées sur scène. "
Patrick Caseiro excelle dans l'art de jouer avec l'homophonie des vers ou la polysémie des mots (... et des maux) de notre quotidien, avec beaucoup de finesse, d'ironie et de tendresse à la fois. Et il le fait en trois langues : la plupart des poèmes sont en portugais, trois sont en anglais et quinze en français. Nombreux de ces textes ont été mis en musique par P. Caseiro lui-même, mais aussi par d'autres chanteurs et musiciens
Dominique Stoenesco , extrait de la revue Latitudes N°38/39
Viscosimère
En fonction des recommandations du fabricant
Testons la viscosité de nos sentiments
Y'a-t-il des coulures ? Sont-ils rugueux ?
Bombons nos torses de bonheur
Caramélisons nos sourires moqueurs
Nos acryliques pensées
Nos émotions, nos émulsions
Remplir le godet d'espoir
Calculer le temps de vidage
Avant l'irrémédiable virage
A l'aide d'un filtre ou d'un bas nylon
Filtrer, éliminer les impuretés
Nettoyage en surface, décapant
White spirit désopilant
Le pistolet et son godet
Le solvant prêt à pulvériser
Placer plus haut nos ambitions
Ajuster à 3 bars la pression
Bien quantifier le chantier
Le pistolet à la bonne distance
La main hésitante s'élance
Régler la valve jaune
Puis viser l'hématome
Qu'il soit souple, le poignet !
Esquisser une ligne droite
Balayer les surfaces
Horizontales et inclinées
Vaporiser, s'y attarder
Nos angles morts, nos encores
Losanges aux recoins étranges
On soupèse nos torts, nos remords